Nas últimas duas semanas, descobri como pode ser bom ser a única pessoa à toa conhecida, revi o córrego Atlântico, torrei num sol realmente tropical, troquei de pele, lavei a cor nos cabelos, descobri que água com sal na cara mantêm os olhos verdes por mais tempo e que eu sei como e censurar as idéias de uma forma eficientíssima, que embola na garganta (mas isso eu acabo de (re)descobrir), comi muito e bastante, não subi em balança, enchi e esvaziei muito os olhos e a cabeça.
Nessas duas semanas abriguei e realoquei esperanças tresloucadas, vi pequenas idéias se pregando por trás das minhas orelhas, especialmente a direita, e sei que quando procurar por elas, não estarão mais lá.
Enquianto isso, li os Monstros do André do Fernando e um pedacinho da Cegueira do Saramago, também do Fernando, pensei em acidentes aéreos antes e depois de umas bacadas violentas do avião, pensei em outros acidentes e desaparecimentos e, apesar de estar à toa, não estava lá quando eles precisaram de mim, apesar de ser pra isso que estou aqui.
Nesses dois últimos parágrafos, esvaziei muito do ar salgado com sol que tinha me enchido.

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