Hoje eu quebrei um cara na rua. Não foi isso que ele disse, mas poderia ter sido. Nem foi isso que ele fez, mas poderia ter sido. Falou alguma coisa sobre uma mão na bunda, um xingamento e fez um movimento com o braço. Disse que veio pelos becos, que nas avenidas seria cassado. Em meio a risadas e piadas cada vez mais negras, de novo o sentimento de família. Um constrangimento geral, aquele ar de eu sabia. Todo mundo lá naquela cozinha sabia. Dessa vez eu não sei as horas, mas a gente sabia fazia tempo. O mesmo assunto a tarde inteira afundando até o apetite. O agente de polícia no portão, e, na garagem, um cheiro de cabeça podre. Se fosse em Aparecida, o agente estaria lá pra investigar o cheiro e remover o corpo, segundo dizem. Por telefone e pela falta de coragem em encontrar olhos, um mal estar. Eu sabia.

 

Mas tem uma coisa que eu não sabia. Hoje, no guarda-roupas da minha mãe, o programa da ópera a que assistimos numas férias dela na minha CEU dizendo 2005 (não tinha o ano no programa, inúmeras informações,mas não tinha o ano) férias de julho de 2005 (ótimas) (estava escrito isso, assim, entre parênteses, (ótimas)!). (ótimo).